Lembras-te?
Eu sei que não, possivelmente não.
Sei das páginas amarrotadas de um jornal de um outro dia qualquer,
Sei da sombra variável dos nossos corpos ao sol,
Sei o que foi, quando foi, onde foi, e, no entanto,
O que mais me dói,
É o que não fomos, onde não estivemos,
O que não demos, e o que não entendemos,
Quando a hora de receber chegou.
Sei do vento contra o meu corpo desprotegido,
Sei da página de jornal que em vão
Tentou abraçar-me, como se todo o mundo, o peso de todo o mundo,
O tentasse fazer.
Sei do calor que não senti e do toque que me faltou,
Sei de ti não te vendo,
Sei de ti não te sentindo…
Lembras-te?
Ou apagaste no tempo os dias em que vivi?
Sou incompleto em mim; Falta o que de mim tiraste,
Falta-me o que de ti levaste.