Que interessa ao vento voar
ou à inerte montanha permanecer ali?
Sei que amanhã terei a possibilidade de acordar novamente, se esta me não for negada. Sei já qual será o meu pequeno-almoço, se não me esquecer do leite a ferver. Sei de côr o caminho por onde seguirei se outra opção não tomar. Sei coisas que não julgo saber, sei de mim louco embora nunca me tenha visto como tal e me repugne a vista estar perto dela. Sei do que gosto, de quem gosto e de quando gosto. E sei também que por vezes deixo de querer o que outrora gostei. Queria morrer nos teus braços esta noite, meu amor, para poder acordar amanhã sozinho. Quero para mim o mundo para depois o libertar, como uma borboleta que se desprende dos dedos que gentilmente a prendiam. Quero ser as grades que me prendem para descobrir em mim as chaves que delas me libertam.
O passado já passou, a minha vida está a passar
e nem o vento nem a montanha desviarão os seus caminhos
por vontade minha
porque a minha vontade é todo o mundo
porque todo o mundo é livre
e eu, livre, sou todo o mundo.