... descer das nuvens e viver com os pés bem assentes no ar!

24
Mai 12

Tic-tac

Tic-tac

e o tempo que passa por mim como se fosse uma sombra decalcada na parede.

- O silèncio da noite, os candeeiros públicos,

montes de nada mergulhado no escuro -

 

Vende-se, compra-se, rouba-se

prostituem-se ideias e pessoas

e no meio de tudo isto

punhados de areia correm-me por entre os dedos.

 - Ter tudo e tudo faltar.

 

As roupas estão espalhadas pelo quarto, as ideias estão espalhadas pelo mundo

dos nossos filhos, os filhos que nunca tivemos, fruto do sexo que nunca aconteceu.

Meu amor, meu amor, meu.. amor.

 

Ressalva: o amor é mais que tudo e mais que nada, é mais que dar e receber

um poeta exposto numa redoma de vidro

e eu sem ti... e tu sem mim... é nós quando estamos juntos

e nós sempre juntos nos nossos corações.

 

As palavras são vidros que quebram

e as minhas não te conseguem alcançar

nem quebrar barreiras ou distancias

corpo no corpo, olhos nos olhos.

 

Os meus sonhos não são vazios,

tenho horas, de pura solidão
Mas o meu amor é a vingança
que tenho para oferecer aos meus monstros sagrados,
devoradores de noites.
O sangue continua a correr-me nas veias, pulsando cada vez mais forte. Ressalva: O teu amor é a minha força.
publicado por teatrodosonho às 01:31

16
Mai 12

Desenhei com os dedos
O mapa dos sinais do teu corpo
Sonhando como no tempo em que as nossas peles se fundiriam numa só
E isso basta para partir com a luz dos teus olhos nos meus.
Sei que um dia irei sentir o doce sabor dos teus lábios
E a brisa dos teus cabelos soltos em mim.

Não sei que dia viverei amanhã
Mas quero em mim a tentação
De não querer resistir, de não querer lutar contra
De ser absorvido pelo encanto do teu olhar.
Não procurei e fui achado; não avancei e fui
Conquistado; sonhei beijar e o beijo foi-me dado.

Houve um tempo
Em que te vi como uma névoa – perfeita, mas irreal –
Quis sorrir, quis olhar tocar cumprimentar
- Olá!.. tudo bem? Como estás? –
As palavras colavam-se na boca e o meu olhar caía…
Fazia sentido, na ordem
Natural do meu mundo degenerativo.

Independentemente de tudo
Os meus olhos já estavam fixados nos teus
E a cada momento ansiava poder repetir
Poder entender se seria real o sabor dos teus lábios
Se não fora delírio, ilusão, os meus desejos mais íntimos
Finalmente revelados.
E tu ali estavas – um beijo e um sorriso –
E todas as minhas defesas ruíram por terra.
Quis sorrir e chorar ao mesmo tempo.
Tocar-te levemente no braço
E poder transformar em palavras
A imensidão das coisas que me fizeras sentir.
Abrir-te as portas daquilo que te queria dar,
Do que gostava de receber.
- Como se tudo à nossa volta estivesse congelado, perdido no tempo –

O tempo, felizmente, fez-me recordar que o prazer de se gostar
Vem a cada segundo que passa,
Vem na espera de se querer estar com aquela pessoa,
Querer sentir novamente um arrepio na coluna
E ser idiota até,
Rir a bandeiras despregadas de felicidade que transborda
Por todos os poros,
Em cada beijo, em cada olhar,
 A cada instante.


A presença dos raios de sol que rompiam por entre as frestas da persiana fê-lo aperceber-se do tempo que passara, entretanto. Um súbito cansaço tombou a caneta que segurara horas a fio entre os dedos, muito antes de ter acabado tudo o que sentia não ter começado, sequer, por ter ficado tanto por dizer. O que estava feito, feito estava, e de nada valia sonhar com a possibilidade de todas as minhas palavras serem da medida exacta do que sentia.

Amanhã será outro dia
E nesse dia verei dois olhos que me dão vida
E a vida que nascerá em mim dará sentido ao dia
E os meus lábios serão o reflexo dessa vida
- Sorriso para enfrentar o mundo –
Hoje posso sonhar finalmente, blue eyes
Hoje, tu és o meu sonho
Amanhã, o meu presente.

 

publicado por teatrodosonho às 23:54
sinto-me:
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12
Mar 12

E o chão cedeu, por fim.

 

Nunca tomei como inevitáveis

os acontecimentos que se sucedem sem cessar

mas também não esperava

que o tanto que vivemos

morresse assim, tão fora de época.

 

Não esperaste que o tempo

desse sinais de si,

não quiseste mais olhar-me de frente

como se do nada

a minha imagem passasse a ser-te odiosa,

mas eu sei quem sempre fui

embora tema por desconhecer

quem serei para ti amanhã

Talvez essa esquina

onde nos tornaremos a encontrar surja do nada... talvez...

 

Por enquanto, apenas eu e este desamparo.

publicado por teatrodosonho às 20:49

06
Jan 12

Tic-tac

            Tic-tac...

Apenas um suave beijo

o som de uma pétala que cai

a afagar a erva húmida.

 

Nada mais simples que esse

amor convertido na tua presença

Nada mais que aquela lágrima corrida

por entre a barba incerta.

 

Entra agora, entra agora por favor.

 

Não me deixes esquecido nesse

bau de recordações poeirentas.

 

 

 

publicado por teatrodosonho às 00:47
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Em todas as esquinas

vejo-me rasgado e sumindo-me

por entre as fissuras do tempo.

 

Apenas uma alegoria sem

significado algum.

 

Não sou vento

(muito embora todos os teóricos das artes profanas e das profanadas apontem para uma existência - Somente - )

 

Em todas as esquinas apago-me

Em todas as esquinas vivo

Em todas as esquinas

Em todas as esquinas

Em todas as...

 

Apenas uma esquina apagada

onde aponto uma existência

trilhada numa fissura:

 

Amor

publicado por teatrodosonho às 00:03
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22
Out 11

Tenho que ir para casa. Desculpa... tenho que ir.

Tenho em mim o sufoco do mofo e da peste

puro ácido que corrompe-me a pele e que

como garras

susteem-me nesta cerca a que chamamos lar.

Não

és tu nem sou eu; somos nós

que tornamos fétido o respirar

e que à custa de tanto nos amarmos e odiarmos

acabamos por destruir a única promessa sincera

que juramos neste tecto.

Vinte anos trancado na minha própria paranóia,

uma televisão e as molas soltas do gasto sofá

a viver somente da vida dos outros

vegetativos.

Desculpa.

Sei que mais tarde reconhecerei que

fiz também a cama onde me deitei,

mas hoje,

somos somente palavras gastas

num tempo morto.

publicado por teatrodosonho às 03:33

07
Out 11

O mais belo poema

fi-lo sem palavras.

 

Desenhei no ar o teu nome

tornei eterno

pelo menos até deixar de respirar

esse intocável onde te perdi, onde te tornei imortal.

 

Sei que ainda assim

palavras invadem, palavras interrompem

o silêncio de olhos que se viram.

Sei que ainda assim

estraguei o mais belo

poema

que só poderia ser dito

no silêncio da tua respiração

contra o meu peito.

 

Não tenho palavras suficientes:

tenho somente o que sinto

o que sentimos

e esse sim

é o mais belo poema algum dia escrito.

publicado por teatrodosonho às 01:23
tags:

28
Set 11

Da sua boca,

não mais que fétidas verbalizações

de um fétido pensamento:

 

Ouso ousar mais do que sempre me permitiu

a vontade

mas mais que vontade preferia o não saber,

o desconhecer a possibilidade de algum dia

ter conhecido a forma do pensamento

que de mim detinhas.

 

Hoje

apenas te posso dizer

que sou contra não o que de mim pensas

mas o que de ti fazes

 

Nunca foi por mim

mas tão somente por te quereres

superiorizar onde nada disso havia

onde nunca tal teve importancia.

 

E de que te valeu?

 

Hoje ficamos páginas amarrotadas

hoje somos o fel que nos deixa

o trago amargo do ódio

que corre nos lábios

que inunda o coração.

 

Que somos, quem somos, que

é desse ar puro que sorvemos

em límpidas manhãs?

publicado por teatrodosonho às 23:27

22
Set 11

Hoje tenho mais uma palavra;

palavra sonho, palavra sede

palavra de esperança constante.

Hoje foi apenas um dia,

somente mais um dia. Nada

que tenha mudado esse pretérito

para uma memória diária, uma lembrança

que predurasse na mente.

Mas ainda assim, de hoje ficou uma palavra:

uso a saudade e abuso dela

por não ter outra opção. A distancia

impera sobre a vontade. Mas ainda assim

resta a esperança

do dia solarengo em que sonhei poder

encontrar-te um dia.

Amanhã será o dia, e se amanhã não for

ainda assim,

esse dia chegará!

Saudade

publicado por teatrodosonho às 21:27
sinto-me: com saudades tuas priminha
música: Saudade - Cesária Evora

21
Set 11

Que interessa ao vento voar

ou à inerte montanha permanecer ali?

 

Sei que amanhã terei a possibilidade de acordar novamente, se esta me não for negada. Sei já qual será o meu pequeno-almoço, se não me esquecer do leite a ferver. Sei de côr o caminho por onde seguirei se outra opção não tomar. Sei coisas que não julgo saber, sei de mim louco embora nunca me tenha visto como tal e me repugne a vista estar perto dela. Sei do que gosto, de quem gosto e de quando gosto. E sei também que por vezes deixo de querer o que outrora gostei. Queria morrer nos teus braços esta noite, meu amor, para poder acordar amanhã sozinho. Quero para mim o mundo para depois o libertar, como uma borboleta que se desprende dos dedos que gentilmente a prendiam. Quero ser as grades que me prendem para descobrir em mim as chaves que delas me libertam.

 

O passado já passou, a minha vida está a passar

e nem o vento nem a montanha desviarão os seus caminhos

por vontade minha

porque a minha vontade é todo o mundo

porque todo o mundo é livre

e eu, livre, sou todo o mundo.

 

publicado por teatrodosonho às 01:12
sinto-me: clown in tears
música: Bobby McFerrin - Don't Worry Be Happy

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